Lúcia


Era um dia comum como qualquer outro,céu parcialmente nublado,uma brisa fresca que convidava os pingos a caírem. Eu acostumada com a calmaria e a lentidão da cidade,sentei no banco da praça como de costume,sempre foi uma mania minha observar o mundo em minha volta.
Nesse dia até notei que uma florzinha pequenina e singela havia dado as caras. Estava prestes a ir embora,eu juro,mas foi mais forte que eu,algo diferente e inapropriado estava acontecendo.
Não era algo e sim alguém,confesso que não era graduada em decifrar pessoas,apenas plantas e coisinhas bonitas da natureza,seres humanos sempre foram difíceis e a maioria que já tinha ousado a avaliar eram sisudos,tristes,não me agradava nadinha.
 Mas esse ser pequenininho ali,era diferente,na verdade a conhecia o nome dela era Lúcia,todos as tachavam e diziam: '' essa menina não vai longe não,vive sempre com esse olhar estranho e cabeça nas nuvens.'' mal sabiam eles,de que Lúcia sabia ser feliz e tinha a fórmula escrita em cada um de seus ossos.

Lúcia era franzina,tinha sardas pelo rosto,usava um vestido florido até   os joelhos,e  uma fita azul marinho no cabelo,um cabelo enrolado e um olhar convidativo. Ninguém queria ser amigo de Lúcia a lunática, acreditavam que ela tinha algum tipo de doença...mas vou contar-lhes um grande segredo,a cidade inteira era doente,cada cidadão até eu . sofríamos de uma terrível epidemia ,a insensibilidade.
 
Nós éramos os ''lunáticos'' e Lúcia a destemida, o destino dela sempre foi nos salvar,porém ninguém queria ser salvo,levantei do meu cômodo lugar,e fui em sua direção,cheguei perto dela e perguntei se podia me sentar,educada que só, me deixou ficar do seu lado e então me deu um grande sorriso.

Pensei comigo mesma:'' faça perguntas,tente descobrir sua natureza'',mas hesitei,ela era mansa,sem escudos,qualquer um podia fazer parte do mundo dela e pela primeira vez me senti bem vinda e em casa naquela cidade.

Lúcia não me fez nenhuma pergunta,apenas olhou em meus olhos e disse:
- Eu também gosto de ver as flores moça,elas são simples,algumas nem são cheirosas,mas todas tem sua beleza.

Eu não consegui dizer uma palavra se quer,apenas sorri. Ela se levantou e acenou pra mim,falando dessa maneira,parece bobo,mas eu finalmente descobri quem era ela.

Menina pequena,de sonhos gigantes,coração latente e sensibilidade aguçada,criança com essência de flor e visão de águia.
 Eu descobri e talvez Lúcia também soubesse e entendesse como ela era gigante.
Quão doce a vida seria se todos fossem crianças,uma criança como Lúcia.

4 comentários:

  1. Hadassa, imaginei sua Lúcia de cachos ruivinhos... Eu tenho um pouco de Lúcia, sabia? Esse jeito introspectivo, às vezes... Me faz bem. Faz mto por mim! Mas as pessoas ao meu redor tbm não compreendem. Ah, se elas soubessem o qto é importante sermos a gente mesmo, né?
    Nunca conheci uma pessoa 100% Lúcia, mas vou te dizer: adoraria!
    Amei!
    Bjs!

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    Respostas
    1. Engaçado você dizer isso, na minha mente ela desse jeitinho mesmo.
      Que bom que existe um pedaço de Lúcida dentro de você,todos deveriam ter uma pontinha dela dentro de si.
      Eu também adoraria! bj

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  2. Ei flor tem uma #TAG lá no blog pra vc !!! BJUsss...
    http://gordinhasporemcomestilo.blogspot.com.br/

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