As teorias de Summer: Calos

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Esses dias estava em um de meus devaneios, e acabei escutando uma risada animada cortando os meus pensamentos. Quando olhei pela janela avistei duas menininhas brincando desesperadamente no parquinho que tem em frente á minha casa.
Lembro-me muito bem de quando era criança e ia dormir ansiosa esperando o dia seguinte,acordar cedo,tomar café,calçar meus sapatos e ter algumas aventuras sem me importar com que tipo de roupa eu estava. 

A maioria de meus colegas possuía um dom incrível para se pendurar,ficar de ponta-cabeça e atravessar os brinquedos do parque, e eu achava aquilo a coisa mais maravilhosa que alguém poderia fazer. No começo eu tinha medo até de descer no escorregador, a fila que crescia atrás de mim precisava ser desfeita para que eu voltasse.Depois dessa pequena decepção,decidi que seria mais corajosa e que conseguiria ser tão boa quanto eles. 
Nos dias que se seguiram,eu acordava ainda mais cedo e tentava vencer meu medo,a cada dia eu tentava algo novo,até que um dia me vi de ponta-cabeça em um dos brinquedos mais altos do parque,eu apenas sorria e mau acreditava no que tinha feito.
O meu esforço para ser boa foi tanto que consegui ficar sem as mãos nos brinquedos.

Com toda essa lembrança digamos que heroica,eu me pergunto: onde foi que eu errei?e quando fiquei tão covarde para a vida. As coisas não são tão diferentes agora, o parquinho que se chama vida apenas ficou maior e um pouco complexo.
Quando éramos crianças,íamos dormir com machucados  e calos em nossas mãos, e mesmo assim fazíamos tudo de novo no dia seguinte,talvez por que tínhamos a certeza de que aquele esforço valeria a pena de alguma forma.
Vendo essas duas meninas na manhã de hoje,eu decidi que quero mais calos em minha vida,desses de causar bolhas horrendas,mas no final do dia irei ter a certeza de que adquiri marcas que me farão crescer.
Quero me pendurar nos brinquedos e obstáculos,até que eu consiga viver nessa vida sem as mãos, e para isso serão necessários alguns calos.

4 comentários:

  1. Quando li que você ouviu risadas infantis, olhou pela janela e viu duas menininhas brincando, achei q estava lendo o início de uma crônica de terror... rsss
    Mas me situei quando percebi que havia um parquinho em frente a sua casa... :P

    Adorei o texto! Muito mesmo!!! Me fez pensar em como complicamos as coisas; muitas vezes nossas risadas estão do outro lado da rua, só precisamos atravessá-la.

    Ps: Te achei no projeto Follow Friday do Garota e Seus Livros... :)

    http://subexplicado.blogspot.com.br/

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    Respostas
    1. Ual uma crônica de terror,até que vendo por esse lado parece mesmo, mas que bom que tu continuou lendo e acabou gostando do texto. Realmente nós apenas complicamos tudo, essa é uma mania nossa não é?.
      Um beijo.

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  2. O mau do século é a perda e desvalorização da infância. Todos querem crescer, tornar-se adulto não é uma brincadeira, e infelizmente quando notam isso, já é tarde demais...
    Que sejamos crianças para sempre, Hadassa! Que tenhamos determinação assim como os pequenos e sinceridade do coração. Mas que ainda assim, saibamos lidar com a grande montanha-russa que é a vida :)
    bjs, Alice.

    http://theendandperiod.blogspot.com

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    Respostas
    1. Que sejamos crianças sempre pequena Alice, e que possamos ter a suavidade da alma de uma bela criança pra levar a vida com mais leveza,bom você falou tudo, sempre sabe oque falar não é?. Um xêro!.

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