As Teorias de Summer: Sobre o passado,corridas e sensibilidade.

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Nunca fui do tipo que gostava de fazer educação física,sempre acreditei que essa aula foi feita pra diminuir as pessoas,talvez o meu pensamento estivesse errado,mas quando se é escolhida por último pra fazer qualquer atividade,é normal se sentir o menor dos seres,mesmo sendo a pessoa mais alta da sua turma. É engraçado como nos tornamos o que não somos apenas pra poder se sentir parte de algo maior. 

Depois de alguns anos,até que me encontrei em certos esportes como vôlei e basquete,nessas horas eu era grata pela minha altura,também me dei muito bem no semestre em que se tinha corrida,mas ainda existia o futebol,onde qualquer erro cometido,era como se apertasse um botão onde todos os olhares e comentários ofensivos começavam, e a única coisa que eu sabia fazer no momento era correr,correr pro banheiro,talvez dar alguma desculpa de que estava com uma doença bizarra,mas era inevitável não derramar algumas lágrimas. Eu queria reagir,dizer coisas ofensivas ou simplesmente ignorar,mas no momento eu perdia a voz e desejava ser outra pessoa. Um certo dia,o meu professor veio até mim e como se soubesse de todas as coisas que passava na vida,se sentiu no direito de dizer:'' Você tem que parar de ser tão sensível,se não você nunca vai conseguir fazer as coisas na vida,o mundo vai te engolir'. Não sei como ele teve essa audácia,sendo que quem incitava a competitividade e sempre deixava que as pessoas tratassem as pessoas como elas quisessem era ele,mas eu apenas ignorei o fato e continuei a minha vida. Infelizmente cresci com uma imagem muito errada de mim, e acredito que isso acontece com muitas pessoas,pois ao decorrer da nossa vida,sempre colocam defeito em quem somos,as pessoas querem que sejamos perfeitos,sendo que isso é impossível. Somos tão insatisfeitos com nós mesmos,que forçamos as pessoas serem o melhor que podemos ser,e sem querer acabamos sufocando a essência de alguém.

Por inúmeras vezes, me disseram que eu era sensível demais,que as coisas sempre me afetavam,que eu deveria usar mais a razão,e eu comecei a me ver como a pior pessoa do mundo por causa disso. Nós acabamos descobrindo quem realmente somos nos momentos mais difíceis,pois são nesses pequenos momentos de desespero que reconhecemos do que somo feitos.
 Eu gostaria de ter dito muitas coisas,de ter aproveitado muito mais,de ter me cobrado muito menos,gostaria de não ter colocado as minhas expectativas de felicidade nas pessoas,gostaria de ter dito não e de ter cobrado menos dos outros,afinal...as pessoas apenas oferecem o quanto elas podem,todos somos limitados.

 Eu gostaria de não ter feito muitas coisas,e gostaria de ter me descoberto mais cedo,mas se nos concentrarmos apenas nisso,a nossa vida será resumida apenas em lamentações do que deveríamos ou não ter feito,e pelo simples fato de estar viva e poder compartilhar cada lembrança e aprendizado...é um sinal de que finalmente estou me conhecendo e sendo sincera comigo mesma. Todos os traumas,desventuras,lágrimas,ofensas,momentos de felicidade,tudo o que já me aconteceu faz parte de mim,são as minhas próprias marcas e eu deveria me orgulhar delas. Apesar de já ter tido a vontade de mudar muita coisa do meu passado,eu não me arrependo de ser sensível demais,e eu sei que ás vezes irei me machucar,mas se Deus me deu o dom de sentir e ver as coisas de uma outra forma,eu realmente deveria ficar feliz,e as vezes o que achamos ser a nossa fraqueza,acaba se tornando a nossa maior força.

O que nos faz fortes,é sermos nós mesmo,cada vez que negamos o que somos,acabamos mostrando as pessoas que elas podem ditar como iremos agir. Eu sei que viver é uma tarefa difícil,pra alguns mais e pra outros menos,mas se fomos colocados aqui,talvez seja por que temos algo intrínsecamente nosso ,que pode mudar de certa forma o mundo. Ao longos dos dias devemos parar de sermos apenas meros espectadores de nossas histórias,e nos tornarmos atores e atrizes principais da vida.

Apesar de ainda ter algumas lembranças ruins das aulas de educação física,uma vez ou outra eu corro,as vezes pra fugir de algo que acho que não consigo lidar,e quando tenho forças corro em direção aos meus sonhos, continuo sendo sensível demais e choro por coisas bobas,mas a diferença é que hoje eu sei,que apesar do que os outros falam,isso não é um problema...é tudo uma questão de como você se enxerga e como você se coloca no mundo. 


6 comentários:

  1. Amei sei texto. Eu me sentir um pouco mal, pois vi que eu sou o tipo de pessoa que fala: "Você tem que parar de ser tão sensível" Mas sei lá... Achei bacana seu texto, e a aceitação de ser quem realmente é. Como Paulo Leminski diz,"Isso de ser exatamente o que se é ainda vai nos levar além". Um bj.
    http://azuldosgirassois.blogspot.com.br/

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    1. Hey flor,todos todos nós falamos coisas assim,sempre ressaltamos algo de errado que na verdade não tem nada de tão errado assim,somos humanos e o que mais fazemos é falhar. Eu fico realmente feliz que tenha gostado,isso significa muito, e Paulo Leminski está certíssimo,certíssimo!. Um xêro.

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  2. Meo Deusss... um minuto de silêncio e aquela engolida seca. Pára de escrever o que eu estou precisando ouvir. hahaha. Mentira, pára não!!! Continua assim que eu ainda aprendendo essa "difícil tarefa de viver". Bjus

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    1. Hey Thamyres essas palavras servem de lição pra mim também...acredite. Viver é uma tarefa difícil pra todos,mas com calma e coragem chegaremos lá. Um beijo.

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