Sobre mudanças, recomeços e marés.

Imagem de green and suitcase

E hoje eu senti uma baita vontade de voltar pra casa, isso mesmo, casa. Será que é possível habitar lugares e não se sentir abrigado por eles?. É uma sensação desconfortável, ter que voltar para um recinto que de fato você não pertence.

Eu mudei, em menos de um mês, eu mudei e muito. Mudei de bairro, tenho um novo endereço, mudei a rotina, me mudei daqui, mudei de mim. Mas hoje, exatamente hoje eu senti saudade e daquelas boas em que a gente fica com o estômago revirado e bate aquela sensação gelada de euforia e ansiedade, pra voltar a um lugar onde você pode chamar de lar. 
Existem inúmeras habitações,  lar não é apenas um recinto,  é onde  podemos ser inteiramente e genuinamente nós mesmos. 

E cá estou eu, voltando pra casa, e esse sentimento é muito bom! É como se todo o universo estivesse me abraçando e eu finalmente me sentisse parte de algo maior, pois todos nós fazemos parte de algo que no momento não vemos, mas podemos senti-lo.  
Sempre fui uma pessoa contida e a melhor forma que encontrei de me expressar foi através das palavras, confesso que dediquei muito tempo e esforço em muitas áreas, mas eu voltei pra mim e preciso cuidar do meu jardim,pois só assim ele crescerá e irá desabrochar. 
Acredito que a vida, assim como as palavras são como marés, elas não podem ser contidas e as vezes estão baixas, mas precisamos de momentos assim pra que possamos voltar com força maior e assim desaguarmos grandiosamente.



Sobre calos, aventuras e um ano que se finda.

Imagem de light, indie, and photography
É, preciso confessar... me sinto estranha escrevendo sobre um ano conturbado e meio maluco, parece que estive 84 anos dentro de um só, passei por maus bocados e cheguei a pensar que não iria conseguir chegar onde  cheguei, mas olha só como é a vida... estou aqui, com alguns calos, mas ainda estou aqui. Acredito que tenha sido dias pesados pra muitos, e ouso dizer que existiram momentos em que pensamos em desistir, em que procuramos desesperadamente um botão "reiniciar" pra ver se as coisas melhoravam um pouquinho, mas andei pensando com meus botões; Não reclamamos todos os anos? Das coisas que não aconteceram, das chances que deixamos passar, das pessoas que nos deixaram ou das que nós deixamos, é um ciclo, fazemos isso por que somos bons nisso, por que é fácil.

 É fácil ver o lado ruim das coisas, ter a quem culpar, por isso a vida é um desafio diário, pois é uma busca constante por um motivo maior, algo que nos faça acreditar que a vida vale a pena e esquecemos, que o sentido pra tudo isso está dentro de nós mesmos. Da só uma olhada, você é um sobrevivente, e não pode negar isso. 
 Eu sei, eu sei, a sociedade vai sempre querer  te mostrar o contrário, mas não deixe que isso torne a sua  verdade.  

2016 não foi nada como eu esperava e sabe... que bom! precisei aprender que apesar do meu tempo e esforço, certas coisas não dependem de mim e o que tiver que ser, simplesmente será.  Não tem como planejar os dias, temos que fazer o nosso melhor,  sendo o melhor que podemos ser, com o que temos, pois quando as coisas bonitas chegarem, saberemos apreciá-la.
Me sinto aliviada por esse ano estar chegando ao fim, aliviada e agradecida por ter perdido algumas coisas mas ter adquiridos outros bens valiosos. Não sei o que 2017 me reserva, mas seja como for estarei de pé e com a esperança de que as coisas podem ser doces, talvez um pouco pesadas, mas surpreendentemente doces. 


Um ônibus, O Moço e o Violino.

Imagem de boy, bus, and girl
19:20 da noite, um ônibus abarrotado de pessoas sisudas, cansadas, com pés, mãos e costas doendo. Depois de uma sexta-feira corrida, tudo o que queremos é chegar em casa e ter o nosso merecido descanso. Passamos os dias desejando que algo maior aconteça, um milagre, um presente, um sinal talvez... Engraçado é que no final do dia reclamamos das mesmas coisas, das pessoas, do clima e vamos dormir com a sensação de que tudo poderia ter sido melhor e que o nosso ''grande'' dia ainda irá chegar. Porém hoje, algo peculiar aconteceu nesse mesmo ônibus , em uma estação subiu um bocado de gente, de repente, um som invadiu o recinto, um moço estava tocando violino, isso mesmo, só estava tocando para inspirar, trazer leveza, embelezar um lugar que se encontrava um caos. Ele não estava pedindo dinheiro algum, o único propósito dele naquele momento era encher o ônibus de arte e fazer com que pessoas como eu ficassem com os olhos marejados. O momento em que me levou a refletir sobre algumas coisas, foi quando passei o olho rapidamente ao meu redor, talvez três ou cinco pessoas pararam e admiraram o moço e o seu violino, os outros continuaram conversando ou encaravam emburrados algo através da janela. Isso me fez perceber o quanto falta sensibilidade no mundo, mas sinceramente, não sei se posso culpá-los, pois em vários momentos da vida agimos da mesma forma. A vida é cheia de sutilezas e ao contrário do que pensamos ela nos presenteia mais do que imaginamos. Quantas vezes reclamamos de coisas tão bobas e esquecemos de agradecer simplesmente pelo fato de estarmos vivos? de chegarmos em segurança em casa,? de termos alimento, uma cama?. Existem um milhão de motivos para sermos gratos, mas escolhemos reclamar, pois não sabemos aproveitar as bençãos do dia a dia . Ás vezes somos surdos/cegos da mesma forma que os passageiros desse ônibus. Eu agradeço a Deus por ter me permitido apreciar tudo aquilo naquele exato momento , agradeço a esse moço que não sei o nome e nem imagino como seja o rosto, pois não tinha como ter uma visão perfeita dele do lugar onde eu estava, eu o agradeço por ter enchido aquele lugar com sua sensibilidade. Acho que procuramos tanto e acabamos não percebendo as coisas lindas que acontecem ao nosso redor, e sabe... o mundo está cheio delas, só precisamos observar com mais carinho os detalhes e aproveitarmos essas pausas que ela nos oferece, pois são nesses momentos, os mais inesperados, onde a mágica acontece.

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